estranhas violetas 🌺

CONTO - A linha tênue

Era um café. Estavam lá João, Ricardo, Ana e Frederico. Havia um cheiro pungente de torrada. João estava pensando. Os outros dialogavam. Todos deviam temer João, mais especificadamente, suas palavras.

— A Arianna morreu. — Falava Ana — Acidente de carro.

— Que pena. Ela era tão nova. — Sentia Ricardo.

Frederico queria que ela morresse, pois tinha gozado dentro.

— Ela não morreu. — Disse João.

Todos observaram-no surpreendidos.

— Como assim? — Perguntou Frederico tentando esconder sua ansiedade.

— Ela nem nasceu. — Depois disso, todos se calaram.

Após essa certeza, tudo mudou. Não apenas eles, mas tudo. E talvez nada. Eles perderam muito o sentido quando joão disse aquilo. Porque? João era portador médio de ideia, e ideias mudam as coisas.

Não havia mais cheiro de torrada, e nem movimento no café. Na verdade, não havia nem mais café.

— Cala a boca joão! — Exclamou Ana. — Você esta louco?

Ele não respondeu.

— Ele sempre tem que falar essas merdas! — Bradou Ricardo.

— Sempre quer nos fragmentar desse modo. Nunca nada é certo. Sempre tudo é errado. — Dizia Frederico.

— As cores são uma mentira.

O rasgo se alargou mais. E como eram pessoas comuns, temeram. A partir daí, a dúvida era a quinta pessoa na mesa.

Todos perderam as identidades.

— Devolva. DEVOLVA!! — “A” gritava — EU NÃO QUERO ISSO!! EU NÃO QUERO!!!

Ela sangrava pelo nariz.

— Eu não roubei nada. — Disse a dúvida — Não tem como eu devolver algo que nunca foi seu.

“A” pegou a faca de pão e se degolou. Nisso “F” riu.

— Que besta… — Ria.

— Todos sabem. Todos veem. Só ignoram. — Algum deles disse isso, ninguém sabe quem.

“F” enlouqueceu. E “R” percebeu, e desapareceu.

Apenas “J” e a dúvida sobraram.

— Como vai ser? — Disse a dúvida.

— Me diga você: vai se abrir ou não? — Continuou “J”.

— Eu sou uma assassina e não uma pessoa.

— Então morra comigo.

Ela não respondeu.

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~ Well

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