CONTO - A linha tênue
Era um café. Estavam lá João, Ricardo, Ana e Frederico. Havia um cheiro pungente de torrada. João estava pensando. Os outros dialogavam. Todos deviam temer João, mais especificadamente, suas palavras.
— A Arianna morreu. — Falava Ana — Acidente de carro.
— Que pena. Ela era tão nova. — Sentia Ricardo.
Frederico queria que ela morresse, pois tinha gozado dentro.
— Ela não morreu. — Disse João.
Todos observaram-no surpreendidos.
— Como assim? — Perguntou Frederico tentando esconder sua ansiedade.
— Ela nem nasceu. — Depois disso, todos se calaram.
Após essa certeza, tudo mudou. Não apenas eles, mas tudo. E talvez nada. Eles perderam muito o sentido quando joão disse aquilo. Porque? João era portador médio de ideia, e ideias mudam as coisas.
Não havia mais cheiro de torrada, e nem movimento no café. Na verdade, não havia nem mais café.
— Cala a boca joão! — Exclamou Ana. — Você esta louco?
Ele não respondeu.
— Ele sempre tem que falar essas merdas! — Bradou Ricardo.
— Sempre quer nos fragmentar desse modo. Nunca nada é certo. Sempre tudo é errado. — Dizia Frederico.
— As cores são uma mentira.
O rasgo se alargou mais. E como eram pessoas comuns, temeram. A partir daí, a dúvida era a quinta pessoa na mesa.
Todos perderam as identidades.
— Devolva. DEVOLVA!! — “A” gritava — EU NÃO QUERO ISSO!! EU NÃO QUERO!!!
Ela sangrava pelo nariz.
— Eu não roubei nada. — Disse a dúvida — Não tem como eu devolver algo que nunca foi seu.
“A” pegou a faca de pão e se degolou. Nisso “F” riu.
— Que besta… — Ria.
— Todos sabem. Todos veem. Só ignoram. — Algum deles disse isso, ninguém sabe quem.
“F” enlouqueceu. E “R” percebeu, e desapareceu.
Apenas “J” e a dúvida sobraram.
— Como vai ser? — Disse a dúvida.
— Me diga você: vai se abrir ou não? — Continuou “J”.
— Eu sou uma assassina e não uma pessoa.
— Então morra comigo.
Ela não respondeu.
/ /
~ Well